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Prevenção

MANUAL DE INSTRUÇÕES DE NOSSA MORADA
JOSÉ ARISTODEMO PINOTTI

Você já pensou que esse corpo que o veste de músculos, nervos, vasos, gordura, massa encefálica, órgãos com diferentes funções, coberto por uma extensa e suave pele, custou centenas de milhões de anos de aprimoramento genético/darwiniano para ser-lhe oferecido gratuitamente de morada. Você pensou que a ciência levou milhares de anos, empiricamente e, centenas, cientificamente, para desvendar, um pouco, seu funcionamento, a origem de seus possíveis defeitos e tem conhecimento hoje que a grande maioria deles, ocorre por falta de uma manutenção adequada. Você já se preocupou com o fato de que ninguém lhe ofereceu um manual de manutenção e, tampouco, de construção, para cuidar dessa preciosidade?

Pois bem, o encontro da ciência com a antropologia, a filogenética e a saúde, começa a se fazer agora nessa direção, apesar de pouco percebido.

Conhecemos as causas de quase todas as doenças e sabemos que a maioria delas se deve a hábitos inadequados de vida. Recentemente, a OMS publicou um extenso trabalho, em que demonstra que se os corrigirmos (manutenção adequada) evitaremos 40% das mortes por doenças neoplásicas e 80% das cardiovasculares.
O exemplo do câncer do colo do útero é ilustrativo: trata-se de uma doença sexualmente transmissível, causada pelo vírus do HPV, quando encontra condições facilitadoras – corrimentos, feridas, baixa imunidade (fumo). Se ensinarmos as mulheres a praticarem coito protegido e curarmos seus corrimentos, feridas e eventuais lesões viróticas, elas não terão câncer de colo. Isso ocorre em vários países mesmo antes da vacina anti HPV. Para isso, basta uma atenção primária eficiente, de fácil acesso e bom acolhimento. Apesar disso, pasmem, morrem, sistematicamente, 5.000 mulheres dessa doença anualmente em nosso país. A história da maioria das outras enfermidades e mortes é semelhante.

Como conclusão, hoje, a Educação para a Saúde, garantindo bons hábitos de vida, é o mais relevante avanço que pode ser dado em saúde pública. Diagnóstico precoce já se tornou arcaico pois, significa esperar a doença começar para diagnosticá-la e tratá-la - quando conhecemos suas causas e podemos evitá-la.
É uma oportunidade ímpar que os países em desenvolvimento podem usar para, a custo baixíssimo e sem repetir erros, subir vários degraus da escada do aprimoramento da saúde, ao mesmo tempo. Colocar isso na prática, entretanto, não é fácil. Hábitos fazem parte da cultura e esta se transmite e persiste surda e insistentemente.
Temos trabalhado essa questão com as mulheres. Nos últimos dez anos, em uma pesquisa conjunta de matemáticos, programadores, médicos e epidemiólogos, ensinamos o computador a dialogar com as mulheres e conseguimos criar um programa que, analisando as respostas dadas a um questionário com 90 perguntas, em poucos segundos oferece avaliação individualizada de risco para as doze principais doenças que podem acometê-las e a razão desses riscos.
Esse é o início do processo de educação, que, ao usar como modelo a própria pessoa, desperta sua atenção. A seguir, é oferecida uma completa orientação personalizada sobre mudanças de hábitos. Tudo pode ser impresso em 3 ou 4 folhas e levado para casa, lido e relido, discutido com os demais membros da família.
No Hospital das Clínicas e no Pérola Byington, durante os últimos 5 anos, aplicamos o método para 13.112 mulheres e os resultados foram animadores, em termos de entendimento, aceitação e mudança de hábitos.
O programa agora está à disposição em todos os telecentros dos CEUs, com monitoras treinadas para orientar as mulheres como utilizá-lo e está em implantação em outros 60 telecentros da cidade, com tendência a ser oferecido em todos. É uma forma de fazer inclusão digital e educação para saúde ao mesmo tempo. O colocamos, também, à disposição na Internet (http://portaleducacao.prefeitura.sp.gov.br). Mais de 300 mulheres por dia já estão usufruindo dele. Estamos conseguindo, depois de 15 anos de trabalho, universalizar, a um custo baixíssimo, um processo de educação para saúde personalizado.

Se cultivarmos bons hábitos, poderemos desfrutar do nosso potencial genético e fazê-lo sem desvalorizar o trabalho médico de diagnóstico e tratamento, ao contrário, aliviando-o ao prevenir efetivamente as doenças. A modernidade na saúde passa pela educação.

* Deputado Federal (2006); Secretário Municipal de Educação (2005-2006), Membro Academia Nacional de Medicina (cadeira 22), Reitor da Unicamp (1982-1986), Professor Titular de Ginecologia da USP e da Unicamp (1970-2004), Deputado Federal (1994-1998) - (2002-2004), Presidente do IMAE, Secretário de Estado da Educação (1986-1987), Secretário de Estado da Saúde (1987-1991) e Presidente da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO – 1986-1992).

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